segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Festa da vitória, ontem, na Esplanada dos Ministérios - Brasília, DF

Festa na Esplanada dos Ministérios, Brasília, DF, dia 31.10.2010
Carlos (à frente), Marina e José Roberto (meio) e Emanuel (atrás)
 Socorro (no canto direito embaixo), José Roberto,Marina, Emanuel, André (com a camisa do Flamengo) e Caio (atrás do Zé Roberto)
 Agora sim!
João Carlos
Tiago e João Carlos
 Cristóvam e Agnelo
Patrick e Carlos (à esquerda), eu (com a mão levantada), Socorro (com a bandeira), Emanuel (com a lata de cerveja na boca) e José Roberto (ao lado dele)
 Bandeiras
Mais bandeiras e cantoria...
 Da esquerda p/a direita: Mario, Carlos, Rita, eu, Daniela, Marina, José Roberto e Emanuel
Rodrigo e Caiã à frente
 Daniela, eu, Caiã e Aroldo (José Roberto ao fundo, atrás da Daniela)
Rita e eu
Carlos
Socorro, Emanuel e Roberto
(Da esquerda p/ a direita) Tiago, André, Caio e João Carlos
Tácito, Caio e José Roberto
João Carlos  pendurado na estrutura do palanque para tirar fotografias
Socorro e José Roberto
Carlos e João Carlos

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Na sombra da mangueira,
Beira-mangabeira-manga,
Na sombrada, assombreada, sombreação...
Brada, assombra!
Tronco da mangueira, assunção.
Copa da mangueira, sombra, 
Sombreiro
Sombranceiro.
Braço da mangueira,
Assombração,
Abraça mangueira.
Sombração no sombral,
Brincadeira de palavras, 
Mangofas... 
Sobe no pé da mangueira e assobia!
Chupa manga e assobia!
Manga no pé, preguiça,
Mangoneação...
Nasombradamangueirameninadormiu
Pracopadamangueirapassarinhofugiu
Sai daí, minha fia, que tem marimbondo!
Onde tá, minha fia? 
- Tô aqui, Dinha, embaixo da árvore...
- Vai dormir aí não!
Árvore, avre, ave Maria!


(Tanto tempo dormiu minha fia que os cabelo dela viraro raiz
E agora a manguera, quando venta, canta o canto dela junto com os pássaro ...
Manguera assombrada.
Eu li essa história na sombra da mangueira.)
Beatriz Vargas  Ramos
Dedico esse poema a todas aquelas que, 
como eu, foram meninas um dia, 
moraram numa casa de quintal 
com mangueiras e um sabiá
que vivia solto...


(Essa árvore fica na minha quadra - SQN 203 - e eu que fiz a foto. Não é mangueira, mas é avre. E é linda...)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

(Pru Zé)


Calou-se a melodia de suas palavras.
Concertos de amor, de alegria ou de dor
De que desfrutei por muito tempo...

Tempo que apesar de muito já se acabou.
Tempo que já se acabou porque não foi muito.
Tempo que, muito ou pouco, sempre se acaba.

Restam palavras sem melodia...
Fragmentos,
lampejos,
vestígios.

Um dia também minha música se perderá
No grande silêncio do universo.

Beatriz Vargas Ramos
12 de maio de 2009


Foto do João Carlos - 2010/Janeiro - Bogotá - Colômbia

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Cristo é louro e de olhos azuis

Na Indonésia,
Uma família de indonésios,
Morenos, de olhos negros,
Reúne-se para fazer a refeição.

Na parede,
Um quadro de Cristo,
Louro e de olhos azuis.

Ensinaram a essa família
A amar o Cristo
Louro de olhos azuis.
A essa família morena
Ensinaram que são feitos à imagem e à semelhança de Deus.
A essa família da Indonésia
ensinaram a amar ao Deus de Bento XVI
- O mesmo Deus das tribos da América do Sul -
Que é louro de olhos azuis.

(A boneca Barbie também é loura de olhos azuis,
mas as meninas da Indonésia, do México, da Colômbia, do Brasil, do Havaí
não sabem
que isso não tem nada a ver com a beleza...)
Beatriz Vargas Ramos
2007




quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Matando (e comendo) criancinhas



Foi assistindo ao primeiro debate do segundo turno entre os dois candidatos à presidência da República que eu fiquei sabendo que a mulher de José Serra, Mônica, havia dito que Dilma Rousseff “é a favor de matar criancinhas”. A frase teria sido dita por Mônica Serra para traduzir, a um interlocutor – eleitor de Dilma! – esta outra afirmativa: “é a favor do aborto”. Segundo matéria publicada no dia 12 de outubro, na Folha de S.Paulo, caderno A, página 9, Mônica “alegou ter usado a expressão ‘criancinha’ porque o interlocutor não sabia o significado de feto”. Assim, nessa versão, de maneira mui didática, a Sra. Serra teria apenas fornecido ao ignaro eleitor de Dilma um sinônimo para “feto”.
Encontrei um sinônimo melhor: “organismo humano em desenvolvimento, no período que vai da nona semana de gestação ao nascimento” (qual seria o sinônimo da senhora Mônica para embrião?). Uma definição, digamos, menos indefinida, abre uma conversa sobre o aborto, mas a de Mônica Serra fecha qualquer debate. (Se é que se pode falar de definição indefinida... Neste caso, eu até acho que sim, porque se trata de uma definição que não define). A “explicação” de Mônica Serra, antes uma antiexplicação, impede o acesso à palavra e ao seu sentido. Esconde, desvia, falsea, engana, distorce... Ao mesmo tempo – sim! – é uma excelente frase! Ora, “matar criancinhas” diz muito mais sobre o sujeito da ação do que simplesmente o verbo “abortar”.
Esse verbo “abortar” é um verbozinho bobinho mesmo... Pode dar a entender tanta coisa, divertir o pensamento.
Abortar, pode ser um enérgico comando militar: “Atenção, tropa, abortar operação, caralho!” (Fico ouvindo o capitão Nascimento, do Bope, dando ordem aos seus homens...) Pode ser uma frase romântica e consumista (não confundir com comunista), daquelas de comercial do intervalo da novela das oito: “Querida, você me fez abortar a ideia de trocar meu Mercedez-Benz por uma Ferrari”. É... Dona Mônica tem razão, seria preciso definir melhor a coisa. Abortar não é um verbo bom de voto, de marketingueleitoralpropagandístico, porque apenas indica que a “criancinha” morreu antes de nascer, mas não diz que foi assassinada (ô verbozinho sem partido esse, heim?!)
Impossível não associar “matar criancinha” com “comer criancinha”... No passado, muito já se disse, assim no Brasil como no Chile – Dona Mônica deve se lembrar daquela frase anticomunista que, espera-se, seja uma frase do passado – que “comunista” – já essa palavra tem partido e até cor, aliás, a cor do capeta! – “come criancinha”. Ora, uma coisa evoca outra... e assim vai.
A estratégia da esposa do candidato é o marketing da simplificação que também pode ser chamada de comunicação simplificada. Ora, e por que não?! Na era do MSN não tem mal nenhum a gente sair por aí simplificando as palavras, abreviando o pensamento, encurtando o caminho da conclusão... Ajuda na eleição, dá menos trabalho para o eleitor. Ele não precisa ficar deduzindo, raciocinando, procurando se infomar, debatendo... – tudo no gerúndio mesmo – porque a conclusão já vem pronta! A frase é da boa para se espalhar. Pega feito fogo de cerrado no mês de agosto em Brasília. Isso é que é ideia preconcebida (nada a ver com concepção... ou é melhor abortar essa frase?).
Depois, é sabido que época de propaganda eleitoral não é propícia para boas discussões políticas, quero dizer discussão madura, debate público responsável sobre temas que interessam à Nação. Imagine se alguém vai conseguir estancar a enxurrada de adrenalina da eleição para discutir política com qualidade!... É o mesmo (tá bem... é quase o mesmo) que se plantar na frente da torcida, em pleno segundo tempo de uma partida entre Flamengo e Fluminense, por exemplo, e falar com aquela vozinha e aquele sorrisinho de Marina Silva: “Olha, xente, por favor, vamos dar uma paradinha e debater essa questão de ficar chamando o juiz de ladrão, tá?!”
Conclusão?
Um tema como esse convoca paixões e ódios, preconceito e misoginia. Não pode ser discutido durante eleição, como futebol também não pode ser discutido no decorrer da partida. A questão do aborto não pode ser resolvida na base da pressão eleitoral. Se período de campanha é o pior momento para debater com equilíbrio, seria bom que tentassem os atores direta ou indiretamente envolvidos nas cenas eleitorescas, pelo menos, evitar o fundamentalismo de opinião e o terrorismo eleitoral. (Me lembrei da manchete do Jornal do Acre, na primeira campanha de Lula à presidência: “Lula sequestra Abílo Diniz” – tem gente que até hoje acredita nisso).
Lamento, sobretudo porque sou mulher, a frase de Mônica Serra. Lamento por Mônica Serra, autora da horrível frase! Lamento por Dilma, alvo da baixaria. Está encerrado o debate, começou a temporada de caça aos defensores de assassinas de criancinha (assassinAs, assim mesmo, no feminino)! Não vou discutir sobre o aborto nessas poucas linhas, não é minha intenção neste momento. Contudo, não posso deixar de expressar minha indignação pela frase infeliz e preconceituosa (não estou dizendo que frase infeliz e preconceituosa não corresponda a um plano de fala...)
O aborto é uma experiência ruim, negativa, um mal, do ponto de vista pessoal, individual. Não conheço nenhuma mulher que, principalmente já tendo passado por isso, saia por aí dizendo, com o indicador levantado: “Abortar é bom! Experimente você também!” Do ponto de vista coletivo, social, o mal é a criminalização da prática. Por isso mesmo, é possível ser contra o aborto e a favor de sua descriminalização. Não há nisso nenhuma incompatibilidade, não há “duas caras”, como pretende uma certa revista de má visão.
Acho que Dilma disse mais ou menos isso no debate. De outro jeito, mas disse. Ninguém ouviu, ao que parece, porque, afinal, estamos em época de eleição, quando algumas frases ecoam mais facilmente que outras.
Pergunte a qualquer torcida...
Beatriz Vargas Ramos

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Eu, espectadora ( 1 )


(Crianças índias morrem no Pará,
crianças árabes em Bagdá)
Crianças palestinas morrem todos os dias,
todos os dias crianças negras morrem de fome
no mundo inteiro.
(Soldados ingleses,
atrás de um muro de quartel no Iraque,
espancam
jovens manifestantes que gritavam contra Bush Junior numa passeata
até deixá-los desfalecidos e sangrando no chão.
O menino que, ontem, chorava de fome
sentado na calçada em frente ao Banco do Brasil,
morreu hoje,
enquanto dormia na escadaria
da igreja
de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro).
Em Abu Ghraib e em Guantanamo
não há direitos humanos.
(Moça negra é presa
no supermercado
ao esconder sob a blusa um shampoo
e um condicionador para cabelos rebeldes.
Há mais de um ano na cadeia esperando julgamento.
Perde um olho).
Tikrit é aqui.
Eu,
que não acredito em direito penal,
em vida depois da morte,
em CPI,
ou Papai Noel,
santo ou cristão,
em quem não fala palavrão,
eu,
que “não posso dinamitar a ilha de Manhattan”,
aceito a chuva”,
a guerra”,
o desemprego
e os juros bancários.
Assisto a vida passar
pela televisão.

????????????Até quando????????????

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

E se eu fosse um bicho?

Lagartixa

Beatriz Vargas
2006
E se eu fosse um bicho?
Uma lagartixa,
Daquelas delgadas e transparentes
Que se movem no ladrilho do banheiro.
O chão seria o meu teto,
O teto seria o meu chão
- nenhum problema concreto de decoração -
No meu lagartixar,
Nem feia, nem bonita,
Eu, simplesmente, “seria”.
Sem dilemas existenciais.
Vantagens inatas: paciência, autotomia,
Além de um modesto lugar na cadeia alimentar.
Nem triste, nem feliz,
Apenas uma
La-
Gar-
Ti-
Xa.
Sem nenhuma ilusão individual,
Sem palavras,
Sem passado,
Sem futuro,
Sem análise,
Sem preconceito,
Sem globalização,
Sem consumo,
Sem televisão,
Sem cartão de crédito,
Sem salário,
Seguro de vida,
Plano de saúde,
Hospital,
Lexotan,
Aluguel,
Imposto de renda,
Pis,
Pasep,
Cpf,
Cic,
Tic,
Tac,
Título eleitoral...
(Como será que me vê a lagartixa do meu banheiro?...)