quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Oração dos ricos e possuidores, frequentadores da Daslu e Cia Ltda.

Pai nosso que estais no céu,
protegido seja o nosso patrimônio,
fortificados sejam os muros de nossas propriedades,
assim as cercas elétricas como as grades.
E não vos esqueçais de elevar nossos saldos bancários,
assim no Brasil, como na Suíça.

A riqueza nossa de cada dia aumentai hoje,
para que possamos continuar comprando
carro do ano, imóvel, eletrodoméstico,
jóia, roupa, champagne
e todos os outros bens que tanto amamos
e gostamos de consumir
de acordo com o nosso alto padrão.

O dinheiro que gastamos todo dia,
nos dai hoje,
assim na conta-corrente, como no cartão.

Perdoai as nossas dívidas,
assim como nós perdoamos aos nossos cobradores,
e não deixeis que a Receita descubra nossa sonegação.
Livrai-nos dos assaltos, dos sequestros,
e da pobreza que assola o País.

Amém.
(Beatriz Vargas Ramos, em 2007)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Oração dos banqueiros e donos de instituições financeiras equiparadas


Pai nosso que estais no céu,
Agigantado seja o nosso patrimônio
Venha a nós
- e não aos nossos concorrentes -
As contas bancárias,
Assim as comuns,
Como as especiais.
Venha a nós as riquezas da Nação
E que a política financeira seja sempre a expressão
De nossa vontade,
Assim no Congresso
Como no Banco Central.

Os juros sobre juros de cada dia
Nos dai hoje
- e não vos esqueçais de nos abençoar com uma boa taxa selic,
com o floating, as tarifas e o spread –

Perdoai as nossas dívidas,
Porque assim, quem sabe, podemos
Perdoar os juros futuros de nossos devedores...

Não nos deixeis falir sem prestação,
Dai-nos crédito,
E livrai-nos de qualquer imposto sobre o capital.
Amém.


quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A gente se repete.
Muito.

A gente conta sempre a mesma piada,
A mesma história,
Veste sempre a mesma roupa,
Come sempre a mesma comida,
Se irrita sempre com as mesmas coisas.

A gente ouve sempre a mesma música,
Anda sempre com as mesmas pessoas,
Vai sempre aos mesmos lugares,
Sempre fala a mesma coisa.

A gente sempre dorme do mesmo lado,
Usa sempre o mesmo sabonete,
A mesma pasta de dente,
A gente repete,
A gente sempre repete,
Re-repete,
Se repete,
Muito.

A gente nem sente o quanto se repete...
Por que a gente não se cansa?
Quem disse que a gente não se cansa da gente?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Festa da vitória, ontem, na Esplanada dos Ministérios - Brasília, DF

Festa na Esplanada dos Ministérios, Brasília, DF, dia 31.10.2010
Carlos (à frente), Marina e José Roberto (meio) e Emanuel (atrás)
 Socorro (no canto direito embaixo), José Roberto,Marina, Emanuel, André (com a camisa do Flamengo) e Caio (atrás do Zé Roberto)
 Agora sim!
João Carlos
Tiago e João Carlos
 Cristóvam e Agnelo
Patrick e Carlos (à esquerda), eu (com a mão levantada), Socorro (com a bandeira), Emanuel (com a lata de cerveja na boca) e José Roberto (ao lado dele)
 Bandeiras
Mais bandeiras e cantoria...
 Da esquerda p/a direita: Mario, Carlos, Rita, eu, Daniela, Marina, José Roberto e Emanuel
Rodrigo e Caiã à frente
 Daniela, eu, Caiã e Aroldo (José Roberto ao fundo, atrás da Daniela)
Rita e eu
Carlos
Socorro, Emanuel e Roberto
(Da esquerda p/ a direita) Tiago, André, Caio e João Carlos
Tácito, Caio e José Roberto
João Carlos  pendurado na estrutura do palanque para tirar fotografias
Socorro e José Roberto
Carlos e João Carlos

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Na sombra da mangueira,
Beira-mangabeira-manga,
Na sombrada, assombreada, sombreação...
Brada, assombra!
Tronco da mangueira, assunção.
Copa da mangueira, sombra, 
Sombreiro
Sombranceiro.
Braço da mangueira,
Assombração,
Abraça mangueira.
Sombração no sombral,
Brincadeira de palavras, 
Mangofas... 
Sobe no pé da mangueira e assobia!
Chupa manga e assobia!
Manga no pé, preguiça,
Mangoneação...
Nasombradamangueirameninadormiu
Pracopadamangueirapassarinhofugiu
Sai daí, minha fia, que tem marimbondo!
Onde tá, minha fia? 
- Tô aqui, Dinha, embaixo da árvore...
- Vai dormir aí não!
Árvore, avre, ave Maria!


(Tanto tempo dormiu minha fia que os cabelo dela viraro raiz
E agora a manguera, quando venta, canta o canto dela junto com os pássaro ...
Manguera assombrada.
Eu li essa história na sombra da mangueira.)
Beatriz Vargas  Ramos
Dedico esse poema a todas aquelas que, 
como eu, foram meninas um dia, 
moraram numa casa de quintal 
com mangueiras e um sabiá
que vivia solto...


(Essa árvore fica na minha quadra - SQN 203 - e eu que fiz a foto. Não é mangueira, mas é avre. E é linda...)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

(Pru Zé)


Calou-se a melodia de suas palavras.
Concertos de amor, de alegria ou de dor
De que desfrutei por muito tempo...

Tempo que apesar de muito já se acabou.
Tempo que já se acabou porque não foi muito.
Tempo que, muito ou pouco, sempre se acaba.

Restam palavras sem melodia...
Fragmentos,
lampejos,
vestígios.

Um dia também minha música se perderá
No grande silêncio do universo.

Beatriz Vargas Ramos
12 de maio de 2009


Foto do João Carlos - 2010/Janeiro - Bogotá - Colômbia

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Cristo é louro e de olhos azuis

Na Indonésia,
Uma família de indonésios,
Morenos, de olhos negros,
Reúne-se para fazer a refeição.

Na parede,
Um quadro de Cristo,
Louro e de olhos azuis.

Ensinaram a essa família
A amar o Cristo
Louro de olhos azuis.
A essa família morena
Ensinaram que são feitos à imagem e à semelhança de Deus.
A essa família da Indonésia
ensinaram a amar ao Deus de Bento XVI
- O mesmo Deus das tribos da América do Sul -
Que é louro de olhos azuis.

(A boneca Barbie também é loura de olhos azuis,
mas as meninas da Indonésia, do México, da Colômbia, do Brasil, do Havaí
não sabem
que isso não tem nada a ver com a beleza...)
Beatriz Vargas Ramos
2007